segunda-feira, 23 de abril de 2012

23 de Abril - Dia de São Jorge (Ogum)

OGUM
Sincretismo: São Jorge





1. Ogum, na Umbanda, representa uma das forças da natureza oriundas de Deus, que se manifesta na forma de energia ligada à perseverança, à coragem de vencer demandas, atuando na defesa de toda a natureza, sendo executor da Lei. Sua energia está em todos os lugares.
2. Por vir representado pelos seus falangeiros, como energia vibrante e enérgica, Ogum é símbolo de atividade, de vigor, de possibilidade de a criatura humana buscar na natureza os recursos para vencer suas fronteiras, físicas e espirituais, revitalizando ou descobrindo sua energia vital, às vezes, nem sempre conhecida pelo indivíduo.
3. Os pontos cantados para louvar Ogum trazem também essa energia, todos eles ressaltando suas qualidades de bravo guerreiro e vencedor de demandas. É comum vermos nos pontos cantados para Ogum a junção dos vários elementos da natureza sendo louvados quando invocamos seus falangeiros.
4. Quando o filho de fé invoca o Orixá Ogum, está invocando forças que o levem a lutar e vencer sobre as forças que o querem levar ao declínio, agindo a energia de Ogum como elemento revitalizador que possibilita sua ascensão, sua conquista ao fim desejado. Assim como Oxalá, Ogum também é força, é misericórdia, é socorro.
5. Ogum vibra sua energia nos Caminhos, nas entradas, sempre vigilante, aplicando a Lei Divina com rigidez e firmeza, conforme a atitude daquele que o leva a agir.
6. Os falangeiros de Ogum são representados por espíritos guerreiros, de soldados, daí também, advir o sincretismo desse Orixá com São Jorge, no Rio de Janeiro e São Paulo, comemorando-se seu dia em 23 de abril. Na verdade, compara-se Ogum a São Jorge pelas características desse santo guerreiro: São Jorge veste uma armadura de guerra e monta um cavalo branco. Utiliza a lança e a espada para vencer o dragão, que no caso de Ogum, traz o simbolismo de que através de sua coragem e destemor, sua energia é capaz de trazer a proteção necessária para o combate às forças do Astral Inferior, e o dragão representaria a alegoria de que as forças dos espíritos trevosos e obsessores não são capazes de vencer e derrubar seus filhos.
7. A força de Ogum é representada por sua espada, sua lança, seu escudo (“Ogum quando vem lá de Aruanda, traz uma espada, e uma lança na mão...”), e através do metal de sua espada, Ogum corta o mal e vence demanda do filho que a ele roga sua benção e proteção, mobilizando toda a sua energia para esse caminho.
8. Ogum atua com todos os elementos naturais: Ar, Fogo, Água, Terra e, por não ter elemento da natureza específico no qual estabelece sua vibração, Ogum atua em todos eles em conjunto com os demais Orixás, trazendo seus falangeiros características dessa vibração de Ogum com a vibração do Orixá que rege outro campo vibratório da Natureza.
9. Dessa forma encontramos os desdobramentos da energia do Orixá Ogum, sendo que os principais são:
    a. Ogum Megê – Trabalha em harmonia com Omulu, na entrada da calunga pequena (cemitério).
    b. Ogum Rompe Mato – Trabalha em harmonia completa com Oxóssi, na entrada da Mata. Podendo ser cultuado tanto na terça-feira, dia de Ogum, quanto na quinta-feira, dia de Oxóssi.
    c. Ogum Beira-Mar – Trabalha na orla marítima em harmonia com Iansão e Iemanjá.
    d. Ogum Iara – Trabalha na cachoeira em harmonia com Oxum.
    e. Ogum de Lei – Trabalha com as Almas em harmonia com Xangô, Omulu, Oxum e Ogum Iara.
10. Não se pode deixar de citar, ainda, que dentro desses desdobramentos, encontram-se os desdobramentos destes chefes de linha, como no caso do Ogum Sete Ondas que vem a ser o desdobramento da vibração de Ogum Beira-Mar. E, por conseguinte, os desdobramentos do próprio Ogum Sete Ondas, em Ogum Sete Ondas do Fundo do Mar, da Beira da Praia, etc...
11. Ogum é responsável pelos caminhos. Se Exu é aquele que abre caminhos, o faz em nome de Ogum, que estabelece a ligação entre os diferentes locais, determinando a atuação de Exu. Por isso mesmo, abrem-se as giras de Exu nos terreiros de Umbanda, pedindo licença à Ogum.
12. Características dos filhos (arquétipo) de Ogum: De acordo com Pierre Verger, o arquétipo de Ogum é o das pessoas fortes, aguerridas e impulsivas, incapazes de perdoar as ofensas de que foram vítimas. Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam facilmente. Daquelas que, nos momentos difíceis, triunfam onde qualquer outro teria abandonado o combate e perdido toda a esperança. Das que possuem humor mutável, passando de furiosos acessos de raiva ao mais tranqüilo dos comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes, daqueles que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
13. Cor: Vermelha
14. Fio de Contas (Guia): Vermelha e Branca
15. Ervas: Espada de São Jorge, Aroeira e São Gonçalinho
16. Símbolo: Espada, Lança e Escudo
17. Pontos da Natureza: Clareira no meio da mata, estrada de rodagem e de ferro
18. Flores: Cravos brancos e vermelhos, palmas vermelhas e crista de galo
19. Pedras: Granada, Rubi, Magnetita, Safira, Azurita
20. Metal: Ferro, Aço e Manganês
21. Saúde: ele rege o coração e as glândulas endócrinas
22. Dia da Semana: Terça-feira
23. Elemento: Fogo
24. Essência: Violeta
25. Saudação: Patakuri Ogum, Ogunhê meu Pai
26. Bebida: Cerveja branca
27. Fruta: Manga espada
28. Comidas: Inhame assado na brasa partido ao meio regado com dendê e mel, amendoim.
29. Data Comemorativa: 23 de Abril
30. Sincretismo: São Jorge
31. Incompatibilidades (Quizilas): Quiabo

terça-feira, 13 de março de 2012

Mensagem de um Preto Velho

Depois de chamar alguns filhos, o Vovozinho pediu que transmitissem a todos uma linda mensagem.
Um dos filhos se levantou e pediu a atenção.

"Pai Bento pediu para passarmos uma mensagem dele para vocês.
Tenham sempre a cabeça firme, mas também o coração aberto.
Tudo que fizerem, fazer de coração.
De coração aberto, de coração limpo.
Deem o seu melhor, sempre de coração.
Todos os dias quando acordarem, agradeçam a Deus pela vida, por mais um dia, por poder realizar tudo aquilo o que quiser.
Agradeçam por estarem vivos e por terem saúde, por terem corpo e mente para fazer tudo.
Nunca se esqueçam de agradecer, pois temos tudo que precisamos e muitos não tem nem corpo e nem mente para seguir adiante em sua caminhada.
Agradeçam todos os dias, assim que abrirem os olhos, pois estão vivos!
Tenham firmeza na mente, coração aberto e nunca percam a fé!"

Axé a todos!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mensagem

Existem felicidade maior que servir?
Do que ver a luz que cada um de nós carrega dentro do corpo, a luz da alma.
E tudo que é iluminado por essa energia cósmica, divina e terrena.
A luz reflete.
Reflete em cada sorriso, em cada olhar, em cada lágrima de alegria e emoção.
Reflete em cada alma que reflete novamente.
Refletir é ir e voltar.
Quando essa luz retorna, ela alimenta a que iniciou.
Se volta maior ou menor, depende.
Depende de quantas vezes ela refletiu, depende de quão pura ela se manteve.
Mas quando ela volta, ela traz acima de tudo a PAZ!
Paz do corpo, paz da alma, paz no coração que se sente tocado.
O toque de Deus.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

20 de Janeiro - Dia de São Sebastião (Oxóssi)

OXÓSSI
Sincretismo: São Sebastião



1. Oxóssi, na Umbanda, é representado pela linha de caboclos e caboclas, entre eles Urubatã, Araribóia, Caboclo das Sete Encruzilhadas, Sete Flechas, Cabocla Jurema, etc.
2. Sua energia é derivada da mata. É o Orixá da caça e da fartura. É associado ao frio e à noite.
3. Oxóssi ensina o equilíbrio ecológico parecendo um índio muito forte; caça os espíritos perdidos os trazendo para a luz.
4. Oxóssi é considerado o chefe dos caboclos, índios e boiadeiros. Quando seus falangeiros incorporam nos terreiros, são as entidades que mais se locomovem, fazendo movimentos rápidos e emitindo seus assovios e brados de guerreiros da mata. A grande maioria dos trabalhadores da linha de Oxóssi é formada por grandes guerreiros que combatem e desmancham trabalhos de feitiçaria e magia negativa.
5. Enquanto Orixá que encerra a fartura e a prosperidade, a energia de Oxóssi propicia o alimento material e o alimento do espírito na eterna busca pela sua evolução. Dinamiza a sede pelo saber nos espíritos fragilizados.
6. No Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo é sincretizado com São Sebastião e festejado por isso em 20 janeiro; na Bahia, é sincretizado com São Jorge, cujo dia de festa é 23 de abril.
7. A energia de Oxóssi é regente também da fauna e da flora, da lavoura e da agricultura, permitindo boa colheita e plantio. Os Caboclos trouxeram para a Umbanda toda a magia dos Pajés, a defumação pelos charutos e cachimbos, e o poder milagroso das ervas que são passadas para banhos de limpeza e chás para a parte física; ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, limpam a nossa aura e proporcionam uma energia de força que irá auxiliar e encorajar o nosso espírito preparando-o para que consigamos o nosso objetivo. Com uma postura forte, de voz vibrante, os caboclos trazem as forças da natureza, manipulando essas energias para trabalhar nas questões de saúde, vitalidade e no corte de correntes espirituais negativas. Seu linguajar pode se assemelhar ao dos indígenas, paramentados ou não com cocares, arcos e flechas, machadinha e espadas.
8. Características dos filhos (arquétipo) de Oxóssi: As pessoas consideradas filhas de Oxóssi são alegres, expansivas, preferem agir a noite, como os caçadores. São faladores, ágeis e de raciocínio muito rápido. Sabem lutar e alcançar o que almejam, como que lançando uma flecha e acertando o alvo. Sabem dominar mas quando raivosos, ferem as pessoas com palavras e atitudes, como se fosse dada uma flechada. Quando amam, são zelosos e fiéis, não toleram ser enganados. São muito trabalhadores e honestos.
9. Cor: Verde
10. Fio de Contas (Guia): Verde e branco, ou somente verde
11. Ervas: Acácia-jurema, alecrim de caboclo, araçá, cabelo-de-milho.
12. Símbolo: Arco e flecha
13. Pontos da Natureza: Matas
14. Flores: Flores do campo
15. Pedras: Jade, Malaquita, Quartzo Verde, Amazonita
16. Metal: Bronze e Latão
17. Saúde: Aparelho Respiratório
18. Dia da Semana: Quinta-feira
19. Elemento: Terra
20. Saudação: “Okê Arô, Okê Odé”, “Okê Caboclo”, “Okê Bambi Ôcrim”
21. Bebida: Água, Vinho tinto, Sumo de Frutas, caldo de cana
22. Fruta: Frutas Variadas
23. Comidas: Milho
24. Data Comemorativa: 20 de Janeiro
25. Sincretismo: São Sebastião
26. Incompatibilidades (Quizilas): Cabeça de animais, mel e ovo

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Boas vibrações e muitas realizações em 2012!

Queridos amigos!


Antes de mais nada quero desejar a todos um novo ano cheio de realizações, aprendizados e muitas alegrias e conquistas.
Que Nosso Pai Maior Olorum (Deus) esteja presente na vida de cada um, nos lembrando de sermos pessoas melhores para si e para o mundo.
Que Nosso Pai Oxalá (Jesus Cristo), juntamente com todos os Orixás nos iluminem em nossa difícil caminhada.
Que nossos Guias e protetores possam nos trazer mais mensagens e lições do Criador, para nossa caminhada rumo à evolução.
Que nossos Anjos da Guarda continuem nos cobrindo com suas asas, nos protegendo de todo mal.


Para iniciar nosso ano trago para o conhecimento (para os que não conhecem) e lembrança (para os que conhecem) um lindíssimo Hino.


Peço a TODOS que ouçam as palavras e tragam para seu coração seus significados, independente de religião ou fé, mas que ouçam com o coração acima de tudo.


Trago para vocês o Hino da Umbanda, neste vídeo cantado por Pai Élcio de Oxalá, uma das vozes mais lindas que já pude ouvir cantar.








HINO DA UMBANDA


"Refletiu a Luz Divina
Com todo seu esplendor
Vem do reino de Oxalá
Onde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio de Aruanda
Para o mundo iluminar.
A Umbanda é paz e amor
É um mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
E a grandeza nos conduz.
Avante filhos de fé
Como a nossa Lei não há
Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá!"




A todos um 2012 cheio de Paz, Saúde e Amor no coração!
Axé a todos!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

25 de Dezembro - Natal de Jesus Cristo (Oxalá)

OXALÁ
Sincretismo: Jesus Cristo



1. Na Umbanda, Oxalá representa o mais alto na hierarquia dos Orixás, tendo como contraparte nosso Mestre Jesus, o médium supremo.
2. Nos pontos riscados é representado por uma estrela de cinco pontas.
3. Como Orixá na Umbanda, Oxalá se apresenta sob três formas:
    a. Oxaguian: o Oxalá Menino, que é sincretizado com o Menino Jesus de Praga.
    b. Oxalufan: o Oxalá Velho, sincretizado com Jesus no Monte das Oliveiras.
    c. Oxalá: sincretizado com Jesus Cristo.
4. Tanto na Umbanda quanto no Candomblé é de Oxalá a tarefa  da criação da humanidade. Por isso a equivalência a Jesus, manifestação máxima de Deus trino: Pai, Filho, Espírito Santo. Além de responsável pelo molde dos primeiros seres humanos na Terra, é considerado também o criador da cultura material.
5. Oxalá é representado nos Congás por Jesus e é a autoridade suprema na Umbanda. É ele quem ordena aos Orixás que venham ajudar seus filhos por meio dos Guias e Mensageiros que vêm em Terra. Sua imagem é a de Jesus Cristo, sem a cruz e sua cor é branca.
6. Oxalá é considerado o Orixá maior na Umbanda, porque é capaz de atuar em todos os elementos e vibrações através dos outros Orixás.
7. Oxalá nos cultos afro-brasileiros: O mais importante e elevado do Panteão Iorubá; foi o primeiro Orixá criado por Olorum (o Deus supremo). E um dos Orixás Fun-Fun (da cor branca). São muitas as suas lendas e extensa sua origem e história na África. No Brasil, são mais conhecidos Oxalufan, “o velho” e Oxaguian, “o moço”. Na sua forma “guerreira”, Oxalá carrega uma espada, cheio de vigor e nobreza; na condição de velho e sábio, curvado pelo peso dos anos, é uma figura nobre e bondosa que carrega um cajado, o Opaxorô, de forte simbologia, utilizado para separação do Orun (o Céu) e o Ayié (a Terra). No Brasil é o mais venerado e sua maior festa é uma cerimônia chamada “Águas de Oxalá”, que diz respeito à sua lenda dos sete anos de encarceramento, culminando com a cerimônia do “Pilão de Oxaguian”, para festejar a volta do Pai. Esse respeito advém da sua condição delegada, por Olorum, da criação e governo da Humanidade.
8. Características dos filhos (arquétipo) de Oxalá: Os filhos de Oxalá são pessoas tranqüilas, que tendem à calma até nos momentos mais difíceis. São amáveis e pensativos, mas não costumam ser subservientes. São articulados, reservados e às vezes muito teimosos, sendo difícil convencê-los de que estão errados na resolução de um problema. São bastante participativos, gostam muito da cor branca, são extremamente sinceros, inteligência aguçada, aprendem com facilidade, se adaptam facilmente a qualquer situação, são vaidosos, confusos, sempre estão com algum problema pendente, inventam estórias que mais parece conto de fadas, querem sempre resolver os problemas dos outros. Têm pressa em tudo, tem forte poder de liderança. Em Oxalufan, o Oxalá mais velho aparece com tendência para o debate e a argumentação. 
9. Cor: Branca
10. Fio de Contas (Guia): Branca leitosa
11. Ervas: Boldo, Arnica, Alecrim, Flor e folha da laranjeira, hortelã, erva cidreira
12. Símbolo: Estrela de cinco pontas
13. Pontos da Natureza: Éter e Luz
14. Flores: Camélia
15. Pedras: Cristal de Rocha, Quartzo leitoso
16. Metal: Ouro
17. Dia da Semana: Domingo
18. Elemento: Ar
19. Saudação: “Epa, Epa, Baba!”
20. Bebida: Vinho Branco, leite, água mineral e sumo das próprias ervas
21. Data Comemorativa: 25 de dezembro ou 01 de janeiro
22. Sincretismo: Jesus Cristo
23. Incompatibilidades (Quizilas): Comidas preparadas no Azeite de Dendê

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

08 de Dezembro - Dia de N.Sra. da Conceição (Iemanjá)

IEMANJÁ
Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição



1. No Candomblé Iemanjá é mais conhecida como Yemonja que quer dizer mãe cujo filhos são peixes, é a senhora do rio Ógún.
2. A Orixá Iemanjá sincretiza com diversas representações de Nossa Senhora, por representar a grande mãe, provedora e que acolhe os filhos em seus braços, assim como Nossa Senhora sempre acolheu seu filho, Jesus. Também conhecida como Senhora da Coroa Estrelada ou Janaína (do tupi-africano) é a deusa do mar e protetora das mães e das esposas.
3. Iemanjá é símbolo da personalidade feminina, da beleza e da reprodução.
4. Na natureza, liga-se às águas do mar (conhecido também como calunga grande). Rege também todas as substâncias que se encontram no fundo dos mares. É, também, na vibração de Iemanjá que atuam as famosas sereias e as ondinas, seres elementais da Natureza.
5. Iemanjá é a energia geradora, representa a mãe do Universo. Quando incorporadas, as entidades dessa linha gostam de trabalhar com água do mar, expressando-se de forma serena. Fazem uso da mecânica de incorporação emitindo sons que são verdadeiros mantras que são confundidos por lamentos devido a associação do canto das sereias. Nada impede que médiuns homens trabalhem com essas entidades pois todos tem o equilíbrio dentro de si.
6. Da linha de Iemanjá provêem as Caboclas das águas, doce e salgada, cujas falanges descarregam os terreiros e as pessoas que comparecem aos Templos, limpando fluidicamente o ambiente dos Templos e as pessoas que lá comparecem.
7. Os Caboclos e os Pretos Velhos evocam as trabalhadoras da linha de Iemanjá com grande freqüência, principalmente nos descarregos e rezas.
8. Iemanjá trabalha com o sentimento maternal, afabilidade e doçura; apego à hierarquia, retidão e alguma rigidez; determinação, responsabilidade e força.
9. Em termos de popularidade, Iemanjá é a Orixá de maior destaque no Brasil, sendo festejada na Umbanda e cultos africanos. Suas festas atraem crentes de todas as religiões, como nas oferendas de final de ano nas praias de todo o país.
10. É a única Orixá que tem sua imagem própria nos altares, dispensando o sincretismo como acontece com os demais Orixás. Uma bela mulher, saindo das águas do mar, com vestimenta em azul claro, com o colo nu, espargindo estrelas de ambas as mãos.
11. No Rio de Janeiro, reverencia-se a Mãe d’Água em 15 de Agosto. Em São Paulo, a maior comemoração é no dia 08 de dezembro, na Praia Grande.
12. Características dos filhos (arquétipo) de Iemanjá: As filhas e filhos de Iemanjá são voluntariosos(as), fortes, rigorosos(as), protetores(as), altivas e, algumas vezes, impetuosos(as) e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justos(as) mas formais; põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se perdoam, não esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam de luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto.
13. Cor: Azul claro
14. Fio de Contas (Guia): Branca (Cristal Translúcido) ou Azul Claro
15. Ervas: Alcaparreira, Aracá-da-praia, Erva de Santa Luzia, Fruta-da-condessa, Graviola
16. Símbolo: Conchinhas
17. Pontos da Natureza: Mar e praia
18. Flores: Flores Brancas (Rosas, Palmas, Crisântemos, etc)
19. Pedras: Água Marinha, Lápis Lazúli (azul e amarela)
20. Metal: Platina
21. Saúde: Rins, Ovário e Cérebro (agindo na mente para manter o equilíbrio)
22. Dia da Semana: Sábado
23. Elemento: Água
24. Essência: Alfazema
25. Saudação: Odôia! Odôfiabá (Odôciabá)
26. Bebida: Champanhe ou Água Mineral
27. Fruta: Graviola, pêssego, melão
28. Comidas: Manjar
29. Data Comemorativa: 08 de Dezembro
30. Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora dos Navegantes
31. Incompatibilidades (Quizilas): Carne de pato, peixe sem escamas, cajá, poeira. 

sábado, 3 de dezembro de 2011

04 de Dezembro - Dia de Sta. Bárbara (Iansã)

IANSà
Sincretismo: Santa Bárbara


1. Iansã é a Senhora dos Ventos, dos raios e da tempestade. É Iansã quem domina os furacões e ciclones. Orixá do fogo, do calor, guerreira e regente das paixões. Sua energia é vinculada à força da energia de Xangô. Enquanto Xangô rege o trovão, Iansã atua com seus ventos. Isso se demonstra inclusive nas lendas acerca dos Orixás africanos, que vinculam esses orixás como casados e compartilhando grande amor entre eles.
2. Outro atributo vinculado à Iansã é o de ser a Senhora dos Eguns (mortos). Dentro da sua corrente energética, Iansã é responsável, juntamente com Obaluaiê pelo desprendimento do espírito da vida corpórea. Dentro da sua vibração e atuando nessa função, encontramos o desdobramento de sua energia com a denominação Iansã de Igbale ou Bale, e que no Candomblé equivale à Iansã ligada ao cemitério. Nesse desdobramento energético, o Orixá Iansã magnetiza os espíritos recém-desencarnados, levando-os a refletirem sobre o seu consciencial e emocional para, a partir daí, redirecioná-lo à retomada de seu caminho evolutivo.
3. Iansã é ainda a Orixá regente da linha de boiadeiros, apesar desses trabalharem em todas as 7 linhas da Umbanda, subordinados ainda, à Omulu.
4. Quando há incorporação dos falangeiros da Orixá Iansã nos terreiros de Umbanda, essa incorporação revela sua grande força e energia, como autêntica guerreira e exalando seu amor e alegria, com expressão altiva e com o braço direito estendido para cima e mão direita a balançar. Essa Orixá feminino goza de grande prestígio entre os praticantes tanto da Umbanda quanto do Candomblé e sincretiza com a figura de Santa Bárbara, cultuada no dia 04 de dezembro.
5. Características dos filhos (arquétipo) de Iansã: O arquétipo de Iansã é o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fiéis e de lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestações da mais extrema cólera. Mulheres, enfim, cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Em outras palavras, os filhos de Iansã preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo. Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. São as vezes instáveis, exagerados, dramáticos em questões que, para outras pessoas, não mereceriam tanta atenção. Fazem mesmo tempestade em copo d’água. 
6. Cor: Amarelo ou vermelho
7. Fio de Contas (Guia): Vermelha ou amarela
8. Ervas: Espada de Iansã, Cravo da Índia, Alface, Eucalipto-limão, Flamboiant
9. Símbolo: Raio
10. Pontos da Natureza: Ventos
11. Flores: Rosas e Palmas Amarelas
12. Pedras: Coral Vermelho, Quartzo Rosa
13. Metal: Cobre
14. Saúde: Ventre
15. Dia da Semana: Quarta-feira
16. Saudação: Eparrei, Iansã! Eparrei, Oiá!
17. Bebida: Champanhe, Licor de Menta, de anis ou de cereja
18. Comidas: Acarajé, bobó, inhame
19. Data Comemorativa: 04 de dezembro
20. Sincretismo: Santa Bárbara
21. Incompatibilidade (Quizilas): Abóbora e rato

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Linhas de Trabalho na Umbanda

As linhas de trabalho na Umbanda, são compostas por espíritos que evoluíram e se hierarquizaram, assumindo sua missão conscientemente, para auxiliar o ser humano encarnado e o desencarnado.
São espíritos com alto grau de conhecimento das leis divinas com uma grande vontade de servir a Deus através de seus semelhantes.
São consagrados mestres, magos, instrutores, guias, orientadores, conselheiros, pai, mãe, amigo, leal, verdadeiro, de moral elevada, de caráter estável, equilibrados em seu racional e emocional.
São de uma sabedoria profunda porém simples, pois já vivenciaram o lado encarnado da vida e já estão do lado espiritual.
Conhecedores e pesquisadores da natureza, dos Tronos, das Divindades, dos Orixás, da criação como um todo.
Eles vieram de diversas culturas, isso quer dizer, que utilizam-se de formas de trabalha relacionado à afinidade de costumes e culturas de outros países que não só da cultura brasileira.
Em solo brasileiro foi permitido pelo Trono das 7 Encruzilhadas, ter espaço e oportunidade de encarnados e desencarnados se unirem, trocarem experiências e aprendizados, através das comunicações, este intercâmbio chamamos de incorporação. Esse mecanismo disposto desde a criação do ser, está gravado em sua centelha original, em seu campo eletromagnético e em seu eixo, são preparados pelas divindades para esses espíritos quando encarnados serem médiuns e os desencarnados evoluídos e preparados para assumir a evolução de outros irmãos.
Quando são destinados a serem guias espirituais, frequentam “escolas astrais”, “colégios” e “cursos de aprimoramento” sobre os mistérios de Olorum e aprendem a como se comportarem na linha de trabalho que irão se manifestar.
Então as Linhas mais comuns que temos na Umbanda Sagrada:
• Caboclos e Caboclas
• Pretos Velhos e Pretas Velhas
• Crianças (meninos e meninas)
• Baianos e Baianas
• Malandros
• Ciganos e Ciganas
• Boideiros
• Marinheiros
• Exus e Pombas Giras
Quando estes guias espirituais assumem sua missão junto com o médium, cria-se um elo, e aos poucos esses médiuns precisam desenvolver estes dons mediúnicos, procurando um terreiro de Umbanda para que as manifestações sejam acompanhadas junto com o desenvolvimento mental em questão.
Não existe tempo para começar, basta querer se dedicar com amor e paciência, para que possa ser bem conduzido pelos Sagrados Orixás que regem a coroa deste médium.
Os terreiros são espaços preparados para que possa ocorrer as giras de desenvolvimento com tranquilidade, pois todos os terreiros de Umbanda, acredito eu, têm suas firmezas e seus assentamentos firmados, essas são as chaves que protegem e guardam as energias dos seus frequentadores.
Os guias espirituais assumem com o Sacerdote (Pai de Santo) os compromissos perante a espiritualidade, e dentro das hierarquias, uns assumem o grau de mentor, guia chefe e guia de frente, dando suporte e sustentação para o Sacerdote (Pai de Santo) poder lidar com as energias negativas ou com as investidas do baixo astral, ou por que não dizendo, dos médiuns que chegam com seu templo vivo e seu íntimo carregado de energias negativas. 
Os guias são espíritos incansáveis e doutrinadores, em se tratando do assunto em questão, estes mesmos guias de Lei não toleram os procedimentos errados de seus filhos, são os primeiros a lhe chamarem a atenção, eu não acredito que um verdadeiro guia de Lei possa tolerar tais atitudes, controversas às leis de amor e caridade.
Talvez seja o fato de não terem mais estrutura mental para que um espírito de luz possa passar suas comunicações, aí vem às mistificações e tantos problemas que estamos cansados de ouvir, ver ou vivenciar em várias casas.

Cada Linha de Trabalho tem sua forma de ser, seus fundamentos e sua forma de trabalhar.
Cada uma traz seus ensinamentos e todas se completam, trabalhando juntas para a evolução dos seres.
Como num grande hospital, onde cada Linha seria uma especialidade médica.
Cada espírito de luz de uma Linha seria um membro de uma equipe médica voltada a uma especialidade.
Sendo assim cada "paciente" tem cada problema tratado por seu especialista, mas todos trabalhando juntos para que ele melhore e cure no todo.
Todos os guias, de todas as Linhas trabalham em conjunto. Trabalham em equipe e não tem ciúmes ou vaidades. 
Sabem da importância de seu trabalho e do trabalho dos outros. Não se julgam melhores que outros e não subjugam os demais. Se assim fossem, não seriam espíritos de luz a nos aconselhar e orientar em nossa jornada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

15 de Novembro - Dia da UMBANDA!

Porque dia 15 de Novembro é o Dia da Umbanda?




Segue abaixo uma carta de esclarecimento  do  C.O.N.D.U.*  sobre  a escolha do 15 de Novembro como dia nacional da Umbanda, bem como o seu significado para a religião e o movimento umbandista.



"Porque Milhões de brasileiros escolheram 15 de Novembro como o DIA NACIONAL DA UMBANDA


O CONSELHO NACIONAL DELIBERATIVO DA UMBANDA - C.O.N.D.U. – por intermédio de sua representante no Estado do Amazonas, a Cruzada Federativa Espírita de Umbanda,  tomou conhecimento do comentário da sessão “Umbanda – Quimbanda”  do jornal  “ A Notícia”,  de Manaus,  em 11 do corrente mês,  sob o título “Escolha Justa”,  no qual se lê que  “ a suposta escolha de 15 de novembro para ser considerado o Dia da Umbanda,  sugerida num encontro umbandista, no Rio de Janeiro, vinha decepcionando”… e que  “a data diz respeito à  Proclamação da República,  nada tendo a ver com a Umbanda, o que significa que foi sugerida por profanos,  por quem desejava apenas homenagear um centro”… ”Os umbandistas amazonenses disseram que o 13 de Maio,  data da libertação dos escravos é realmente a mais indicada”.
O C.O.N.D.U. esclarece que:
A data de 15 de Novembro foi proposta pelas entidades federativas do Rio de Janeiro, na I Convenção Anual deste Conselho,  da qual participaram 25 federações,  representando a maioria absoluta dos Estados;  e que não opuseram qualquer objeção à escolha.
Entre as datas sugeridas – 13 de Maio, consagrada aos Pretos Velhos –  e 22 de Novembro – dia de Araribóia –  venceu por unanimidade 15 de Novembro.  Nessa data,  em 1908,  manifestou-se pela primeira vez,  numa sessão da Federação Espírita,  em Niterói,  uma entidade que declarou trazer a missão de estabelecer um culto,  no qual os espíritos de índios e de escravos poderiam desenvolver seu trabalho espiritual,  organizado no plano astral do Brasil.  Na época,  esses espíritos aproximavam-se das reuniões espíritas,  mas as suas mensagens eram recusadas,  por serem eles considerados atrasados,  tendo em vista a condição de humildade com que se identificavam.
A entidade,  que se apresentou aos videntes como um mentor espiritual,  deu o nome de CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS.
No dia seguinte,  verdadeira multidão compareceu à residência do médium – um jovem de 17 anos,  Zélio Fernandino de Moraes,  de tradicional família fluminense.  A entidade manifestou-se e determinou as normas do novo culto,  que teria o nome de UMBANDA, declarando fundado o primeiro templo de Umbanda,  cuja prática seria exclusivamente a caridade espiritual,  através de passes, desobsessões e curas de enfermos.
O templo,  que tomou o nome de Tenda Nossa Senhora da Piedade, funciona ainda hoje,  no centro do Rio de Janeiro (Rua D. Gerardo, 51) com uma filial ( Cabana de pai Antônio ) num sítio em Boca do Mato,  Cachoeiras de Macacu,  completando,  em Novembro próximo, 69 anos de atividade.
Prosseguindo a sua missão,  o Caboclo das 7 Encruzilhadas fundou mais 7 templos,  cujos dirigentes foram escolhidos entre os grupos de médiuns preparados nas sessões doutrinárias que a entidade estabelecera,  às quintas-feiras à noite,  para esclarecimentos sobre a doutrina espírita,  o Evangelho e as normas ritualísticas da Umbanda.  Estas normas determinavam:  médiuns uniformizados de branco, cânticos sem acompanhamento de atabaques nem palmas ritmadas;  preceitos baseados apenas em água,  amaci de ervas,  flores e pemba, atendimento totalmente gratuito,  não sendo admitido estabelecer nem aceitar retribuição financeira de espécie alguma.  Os templos, organizados administrativamente,  mantinham-se pelas contribuições dos associados.
Milhares de templos,  em quase todos os Estados,  descendem desse grupo inicial,  conservando, em sua maioria,  a pureza da doutrina e da ritualística.  Formou-se assim a religião de Umbanda – denominada,  de início,  Lei de Umbanda,  ou Linha Branca de Umbanda – cujos mentores são os Caboclos e os Pretos-Velhos.
Justifica-se,  portanto,  a escolha da data de 15 de Novembro,  por não se prender apenas a uma das falanges principais da Umbanda e sim a ambas:  Caboclos e Pretos Velhos.
A referência feita à Proclamação da República deve-se ao fato de ter sido ela determinante da igualdade religiosa estabelecida pela primeira vez na Constituição da República,  em 1889,  o Estado deixou de ter uma religião oficial,  permitindo assim que todos os credos, inclusive a nossa doutrina,  se difundissem livremente.
(Jornal “Gira de Umbanda” 1976)

Extraído de  ”A Umbanda Brasileira”, livro de José Fonseca  publicado em 1978, depois de passar pelo Jornal ” Gira de Umbanda” em 1976. Páginas 7,8 e 9.

Observação de Pedro Kritski, autor do Registros de Umbanda, (que achei muito interessante) sobre a carta:
É interessante observar no  texto o desconhecimento existente na década de 70 de grande parte do movimento umbandista da história  ocorrida em 1908 – bem como do próprio rito original, cujo estudo e análise ainda hoje é renegado pela grande maioria dos umbandistas –  os motivos da escolha do 15 de novembro pelo próprio Caboclo das  Sete Encruzilhadas para a sua manifestação e a anunciação da nova religião, as considerações feitas sobre o 13 de maio, como sendo a data mais apropriada para representar a Umbanda, o que representa a existência de uma grande associação na época, da origem da Umbanda, o seu surgimento, com as religiões e a cultura afro-brasileira. Posição ainda sustentada por grande parte das vertentes africanistas de Umbanda, que relutam em reconhecer fatos históricos;  a Umbanda como religião puramente brasileira, a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade,  Zélio e o Caboclo das Sete Encruzilhadas como os fundadores e precursores da Umbanda.

Fonte: Registros de Umbanda

*C.O.N.D.U. - Conselho Nacional Deliberativo da Umbanda. Criado em 12 de Setembro de 1971 sendo o primeiro órgão umbandista de caráter nacional, que conseguiu agregar em sua reunião de 1976 , 25 federações de Umbanda de todo o país,  totalizando mais de 40.000 terreiros e tendas  representadas no evento, que teve entre as suas pautas,  a escolha do dia nacional da Umbanda.